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É tão mais fácil calar o que é triste! Tantas e tantas vezes eu já chorei sozinho, num quarto escuro. E já engoli meu orgulho sem que ninguém soubesse. E já fiz preces silenciosas a deuses que julgava mortos. Sim, é mais fácil calar o que é triste... Pois o que é feliz brota a todo instante, quente e borbulhante, como um geiser. E sobe pela garganta e jorra pela boca e pelos olhos, sem que se possa fazer nada a respeito. É por isso que você deve me perdoar por eu ficar assim, te olhando o tempo inteiro, mesmo quando você não está na minha frente. E por repetir insistentemente que ver o teu sorriso se formar nos teus lábios é a coisa mais linda que existe. Eu só sei calar o que é triste. E, no momento, não há nada que eu não queira dizer.
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Escrito por John às 10h18
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Seus pés se movem de lá para cá, carregando as sandálias dum lado para o outro na pista de dança. A barra da saia rodopia, às vezes revelando um pouco mais de suas coxas. Os braços acompanham todos os movimentos com harmonia. Os cabelos, por sua vez, têm uma coreografia própia. E o tempo todo, o sorriso está lá, estampado em seu rosto. À distância, sentado no balcão do bar, ele observa aquela cena, hipnotizado. Não enxerga mais nada além dela, é como se a pista toda estivesse envolta na escuridão e um holofote iluminasse apenas a moça. Ele então fecha os olhos. De repente, não estão mais no salão. Estão de volta à varanda da casa dela, sentados nos degraus da escadinha. Ele, vestindo bermuda, camiseta e chinelo, descascando uma manga com uma faca. Ela, de vestido florido, descalça, chupando outra manga e se lambuzando toda, feito criança. Um fio grosso de caldo alaranjado escorre pelo braço dela, que imediatamente o lambe, para não desperdiçar nem uma gotinha. Ela então joga a cabeça para trás e ri com gosto, achando graça de sua própria gula. Ele a observa e sorri. Na rua, um carro passa devagar, fazendo aquele barulho intermitente, típico de quando um carro passa numa rua de paralelepípedos. Ela costuma dizer que aquele som é o som de "pneu gago". O rádio do carro toca a música preferida dela. Ela imediatamente se levanta e começa a dançar, com a manga ainda nas mãos. O carro vai se distanciando e a música vai ficando cada vez mais baixinha, até se confundir com o som do "pneu gago", para depois sumir. Mas ela continua dançando. E agora canta, a mesma música. Olha para ele, estende as mãos lambuzadas de manga e diz: "Vem, amor, vem dançar!" Ele apenas a encara e balança a cabeça, negativamente. "Não, amor, prefiro ficar te olhando..." Ela sorri, dá de ombros, continua a dançar e volta a cantar. Ele abre os olhos. Está de volta ao salão. Um senhor de idade está parado ao seu lado. Cutuca-o com o braço e aponta com a cabeça para a moça, que ainda está lá, dançando na pista. O senhor lança para ele um daqueles olhares de cumplicidade entre machos e lhe diz: "E aquela morena, hein? Parece até a dona do salão!" Ele apenas sorri e assente com a cabeça. E pensa: "Não posso falar pelos outros. Mas sei que ela é mesmo a dona deste pedacinho do salão onde eu estou."
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Escrito por John às 09h44
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