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"E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo..."
"Quando eu era pequeno"... Eu já iniciei um post com essas palavras. Quem lê o que eu escrevo aqui já deve ter percebido que um tema bastante recorrente para mim são as lembranças dos meus tempos de menino. Ontem mesmo eu usei a expressão "reminiscências da infância", bem como uma série de imagens pinçadas diretamente do meu álbum de fotografias mentais. É bem provável que nos próximos meses a abordagem desse tema se intensifique, com a iminência da chegada da baby Luisa. Outro dia desses, eu estava numa "conferência digital" (leia-se "bate-papo no MSN") com a Tatinha e com a Van, discutindo um assunto de extrema importância: a decoração do quarto da pequerrucha. Graças a essa conversa, me lembrei de uma das coisas que eu mais gostava de fazer quando era criança: desenhar. E como isso era algo que eu não fazia há um tempão, decidi sacar o lápis e um pedaço de papel para tentar descobrir se eu ainda sei... Acabei percebendo que o jeito que eu desenho tem muito a ver com o jeito que eu escrevo. Não sou muito detalhista, prefiro me concentrar em certas características e peculiaridades que tornam aquela figura única, porém familiar. Em contrapartida, descobri também que tento compensar como escritor a minha principal deficiência como desenhista: eu odeio pintar. Todos os meus desenhos são em preto e branco. Acho que eu guardo todas as cores para os meus textos...
Abaixo, o meu "flashback" como desenhista. Resolvi retratar os meus dois amigos mais facilmente "desenháveis".
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Escrito por John às 10h45
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Onde ela mora, o clima é aprazível. Os dias são quentes e as noites amenas. Vez ou outra, cai uma daquelas pancadas de verão, rápidas e providenciais, que ajudam a refrescar. Ela gosta disso. Tanto que, da última vez, até saiu pra caminhar na chuva. Voltou pra casa correndo, toda ensopada, rindo sozinha, satisfeita. Numa outra ocasião, foi uma garoazinha daquelas boas pra se ficar na cama, dormindo. Foi o que ela fez. Não faz muito tempo que ela se mudou pra lá. Os antigos moradores daquela região sempre contam pra ela que os dias naquele lugar já foram bem feios. O céu costumava ser cinza o tempo todo e o clima frio e úmido. Tempestades horríveis, com ventos fortes e trovões, eram constantes. De uns tempos pra cá, parece que São Pedro resolveu dar uma longa trégua. O sobrado onde ela vive tem um enorme jardim, cheio de plantas e insetos, e um quarto com vista pro mar. Ela adora andar pela praia, sentir a areia sob os pés, a maresia, o som das ondas. Sua rua é tranqüila, bem estreita e pouco movimentada. As calçadas são arborizadas e enfeitadas com canteiros de flores. Não há buzinas de carros, os únicos sons mais estridentes que de vez em quando irrompem por lá são o realejo, o apito do velhinho que passa para amolar facas e tesouras (ele é engraçado, tem sotaque italiano, passa apitando e gritando "amoladore!") ou alguma outra reminiscência de infância. No fim da rua tem uma ladeira, que leva à praça onde fica o coreto. Bem em frente fica o cinema e, mais adiante, a sorveteria. Na praça tem sempre um monte de cachorros amistosos e crianças bochechudas, que vivem gritando e correndo dum lado pro outro. Tem também uma vovó que fica sentada num banco e se pergunta "Por que será que as crianças correm tanto?", mas ela logo dá uma risada gostosa e balança a cabeça branquinha, como se tivesse puxado pela memória seus próprios dias de criança e de repente tivesse se lembrado do porquê. Por coincidência, vários de seus amigos de longa data também moram lá, são seus vizinhos. E há ainda outras pessoas que ela conhece há pouco tempo. Mas são todos do bem, vivem se encontrando pra beber, cantar, rir e trocar idéias, sonhos e boas lembranças. Toda noite ela vai se deitar e dorme até a hora que bem entender. No dia seguinte, é sempre saudada com um beijo e café da manhã na cama. Por isso, ela sorri antes mesmo de abrir os olhos. Ela se espreguiça e pensa que realmente "é burguesa essa vida dos sentimentos". Ela mora bem aqui, no meu coração. texto
Escrito por John às 09h58
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— Tiiiiiiu... Ô tiuôôôô... — Fala, princesa. — Tiu, por que é mesmo que você tem tatuagi? — Tatuagem? Ah, minha linda, é porque o tio gosta, o tio acha bonito. É meio que nem um enfeite, sabe? Que nem os brincos da mamãe ou que nem o lenço que você usa na cabeça de vez em quando. A diferença é que o tio usa as tatuagens o tempo inteiro. — Intindi... Mas é que a tia Marli, mãe da Carol, disse que tatuagi é coisa de gente maluca. — É mesmo? — É sim. — Hum... Quer saber duma coisa, minha linda? — O quê? — A tia Marli... Ela... Bom, ela tem razão! Uáááááááááá!!! — Hahahahaha! — Uááááááááá!!! — Hahahaha, pára, tiu! Hahahaha!
Dentre as muitas alegrias com as quais tenho sido presenteado nos últimos tempos, uma das maiores, sem dúvida, foi saber (agora de manhã) que eu serei o padrinho-babão da coisa mais linda, mais fofa, mais bochechuda (e, se depender de mim, mais mimada) que vai ser o bebê da Tatinha e do Zé. Seja bem-vinda, Luisa! O tio não vê a hora de te apertar!!! Obrigado, ultra-som...
A vida não é mesmo maravilhosa? texto
Escrito por John às 10h50
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