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Entre suas melhores recordações, estava a praia. Passava lá suas férias de verão com a família. Gostava dos dias de sol e da rotina saudável. Seus pais ficavam embaixo do guarda-sol, comendo e bebendo. Enquanto ele brincava, fazia castelos na areia, fingia-se de monstro dentro do mar. A melhor hora, no entanto, era a hora do sorvete. Sua mãe o chamava, fazia-o se lavar e servia-lhe um copo d'água mineral fresca. E só então podia escolher que sorvete queria. Sempre passavam os mesmos três carrinhos: o da Kibon, o da Yopa e o da Gelato. Eram os mesmos sorvetes que de vez em quando tomava em São Paulo, mas de qualquer maneira eram sorvetes. Até o dia em que chegou aquela perua. Vinha de uma cidade vizinha e vendia sorvetes caseiros, de sabores que ele nunca tinha visto antes: milho-verde, coco-queimado... Mas o que ele mais gostava era o de maracujá, que vinha com semente e tudo. Por mais estranho que parecesse, ele gostava de mastigar as sementinhas, pois o sabor amargo delas se misturava com o azedo-doce do maracujá. Só que a perua não passava todos os dias na praia, apenas uma vez por semana. Quando vinha, ficava lá na outra ponta, o que o obrigava a caminhar pela orla inteira para chegar até ela. Lembrava-se que sua mãe achava aqueles sorvetes caseiros muito caros, portanto só podia tomá-los vez ou outra.
Aquela menina era diferente de todas as outras que havia conhecido. Não se insinuava, não fazia joguinhos. Na maior parte do tempo, ficava quietinha, na sua. Era bom conversar com ela, ficavam os dois falando durante horas. E ele gostava de fazê-la sorrir porque ela não sorria para qualquer um. Depois de um tempo, passou a gostar de fazê-la sorrir apenas por vê-la sorrir. No dia em que finalmente conseguiu beijá-la pela primeira vez, quase pôde sentir o gosto das sementes de maracujá. texto
Escrito por John às 12h02
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"Pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza é preciso um bocado de tristeza senão, não se faz um samba não..."
Outro dia, estava lendo um texto e, assim que terminei de fazê-lo, cantarolei esse trecho da música do Vinicius e do Baden. Durante minha vida toda, concordei com a estrofe da canção. Sempre acreditei que as coisas que a gente escreve quando está triste são profundamente belas e poéticas. Como se ter a alma e o coração machucados fosse condição obrigatória para o nascimento da poesia. E aquele texto que eu tinha diante de mim era bem assim. Confesso que senti-me preocupado. Pensei: "Acho que não vou conseguir escrever nada que preste por enquanto..." Afinal, no momento, meu céu já não é mais cinza para que eu consiga escrever algo tão denso. Na verdade, para mim é estranho ler um texto triste hoje em dia. Me dá a exata sensação de olhar para uma foto de mim mesmo tirada há anos atrás. Gera algum desconforto e (por que não dizer?) um certo embaraço. Reconheço ali algo de mim, mas ao mesmo tempo pareço ser outra pessoa. O "eu" da foto tem as costas curvadas, é pálido e sempre sério, pois não consegue enxergar motivos para sorrir. Tem um certo ar orgulhoso, mas é possível farejar sua mágoa, seu ressentimento e, especialmente, seu medo. E é magro, como um junkie. A tristeza é mesmo como um vício. Você a consome, pois vê nela beleza, poesia e, de um modo doente, um certo glamour. Até o ponto em que ela é que passa a consumir você. E você já não consegue mais largá-la. Mas acontece que ninguém nasce triste, ninguém nasce viciado. Embora às vezes a vida nos faça pensar que nós nascemos chorando, envoltos em sangue e sofrimento, ainda assim é preciso lembrar que, na verdade, nós nascemos a partir de um gesto de amor. Provavelmente, estas linhas teriam sido melhor escritas se eu estivesse triste. Ah, mas quer saber? Dane-se a poesia. Lembrei-me de um outro trecho daquela mesma música que cantarolei:
"É melhor ser alegre que ser triste a alegria é melhor coisa que existe é assim como a luz no coração"
Então... A bênção, Vinicius! texto
Escrito por John às 11h28
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RECEITA DE ANIVERSÁRIO FELIZ
Ingredientes: - 1 dia ensolarado - 1 namorada linda - 1 almoço num dos seus restaurantes favoritos - 1 banda de rock - 1 porção de amigos - 1 bar guarnecido com cervejas e aperitivos
Modo de preparo: Pegue o dia ensolarado e limpe-o bem, eliminando problemas e preocupações. Pegue a namorada linda e cubra-a de beijos (repita essa operação inúmeras vezes durante todo o preparo). Adicione o almoço num dos seus restaurantes favoritos (recomenda-se a moqueca capixaba do Meaípe, mas fica a seu critério). Pegue a banda de rock e agite-a bem. Junte a porção de amigos, o bar, as cervejas e os aperitivos. Tempere com sorrisos e gargalhadas a gosto. Leve tudo ao coração.
Rendimento: Essa receita rende bastante, o suficiente para várias pessoas. Caso queira engrossar o caldo, adicione telefonemas, e-mails e scraps de pessoas queridas.
Sirva quente e bom apetite! texto
Escrito por John às 10h36
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