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Reconheceu as qualidades que mais o encantavam numa mulher. Um charme, um sorriso encantador, um olhar expressivo. Um riso tímido. E um certo ar indecifrável. Alguém que ele não se cansava de admirar. Sempre achou que cativar uma pessoa era algo que deveria acontecer de forma natural e espontânea, sem muito esforço. Afinal, se você tiver que se desdobrar para se encaixar dentro das expectativas de alguém, é porque esse alguém não é um par ideal. E vice-versa. Ainda assim, gostava de pensar que alguns gestos seus poderiam ajudar. No fundo, o que queria mesmo era conquistar alguém do jeito que sempre imaginou ser o mais bonito. Com aquelas pequenas atenções, gentilezas e carinhos que lhe eram peculiares. Quem sabe, com um verso certeiro. Chegou a pensar que conseguiria fazer isso com ela. Só não contava com um pequeno imprevisto. Ela o conquistou primeiro. texto
Escrito por John às 14h22
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A pessoa certa no lugar certo na hora certa. Sérgio nunca tinha dado muita bola para a velha expressão. Mas desde que começou a sair com Rebeca, tinha descoberto: era ele o sujeito dessa oração. Conheceram-se na festa de aniversário de um amigo em comum. Foi numa daquelas casas exclusivamente destinadas a eventos fechados, nas quais o convidado paga certa quantia para entrar e tem a certeza de que poderá consumir todo o álcool que desejar ou agüentar. Para Sérgio, esse tipo de festa era sempre uma roubada - afinal, ele não bebia. E não considerava um bom investimento pagar 30 reais para ficar a noite inteira se entupindo de refrigerante e água. Na verdade, também não era muito chegado a festas em geral. Aquele bando de gente inexplicavelmente feliz, dançando e suando ao som das mesmas músicas que martelavam o dia inteiro na programação irritante das FMs. A necessidade de ter que gritar no ouvido de alguém para conseguir conversar. O risco de esse alguém estar bêbado e não perceber que está cuspindo enquanto fala com você... Nada disso o atraía. Pensou muito na possibilidade de ficar em casa naquela noite, mas o amigo jamais o perdoaria por faltar na sua festa de aniversário. Fez um esforço descomunal para ir e acabou sendo recompensado: foi lá que encontrou pela primeira vez a mulher de sua vida. O improvável às vezes acontece. Rebeca estava lá, inexplicavelmente feliz, dançando e suando ao som das mesmas músicas que martelavam o dia inteiro na programação irritante das FMs. Sérgio teve que gritar no ouvido dela para poder iniciar o diálogo. Ela já tinha bebido umas a mais, mas felizmente não cuspiu quando respondeu. Foram para um lugar mais reservado para poderem conversar melhor. Ficaram juntos a noite inteira. Combinaram de se encontrar novamente num outro dia. E o outro dia virou mais um dia e mais um e mais outro... De repente, Sérgio teve um pensamento que o deixou meio desapontado. Foi o acaso que os juntou naquela noite em particular, naquela festa. Ele não acreditava em destino, portanto incomodava-o pensar no fato de que não tinha tido o menor controle sobre um evento tão importante quanto conhecer o amor de sua vida. Pensou que, se um dos elementos daquela equação, por menor que fosse, estivesse fora de lugar, talvez nunca tivesse conhecido Rebeca. Sentiu-se uma mera peça num quebra-cabeça montado pela sorte. - Você pode até pensar que foi o acaso que nos juntou, meu bem. Mas veja só, desde o começo foi você quem tomou as rédeas da situação. No momento em que decidiu contrariar sua vontade de ficar em casa e ir à festa. No momento em que decidiu enfrentar sua aversão a pistas de dança e ir conversar comigo. No momento em que decidiu tomar coragem e me convidar para sair de novo. No momento em que decidiu esquecer suas desilusões anteriores e dar uma chance para nós dois. Acaso? Acho que não. Foi você o tempo inteiro. Sérgio sorriu. Por essa e por outras, Rebeca era a mulher de sua vida. Puxou-a para perto de si e disse: - Você é que é a pessoa certa... Abraçou-a com força. - No lugar certo... Ela perguntou: - E na hora certa? - Sim... A toda hora! texto
Escrito por John às 14h37
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