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"LOVE IS ALL YOU NEED"
O post de hoje deveria ser a conclusão da série "Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus...", que venho desenvolvendo nos últimos dias. Deveria... Mas sou forçado a pedir licença e interromper um pouco essa seqüência porque, afinal, não existem regras neste blog e a cabeça do autor está sempre sujeita a alterações. Além disso, os acontecimentos do mundo lá fora sempre acabam afetando, de um jeito ou de outro, o universo que é (d)escrito aqui dentro.
Duvido que haja sensação mais desoladora do que a de ter o coração cheio e, ao mesmo tempo, os braços vazios...
Essa sensação costuma surgir em dois casos: quando você ama e não é correspondido ou quando você ama e perde. Tenho certeza que a maioria de nós já passou ou ainda vai passar por ambas as experiências. EU sei que EU já... E, pelo visto, é certo que ainda passarei por isso muitas e muitas e muitas e muitas outras vezes.
Talvez a palavra que melhor defina a sensação seja... "fracasso". Você falhou. Não conseguiu fazer com que aquela menina te amasse tanto quanto você a ama. Ou então você a conquistou, mas não conseguiu mantê-la ao seu lado. Falhou.
Falhou? Mesmo?
Em primeiro lugar, quero deixar claro que não estou feliz no momento. Não estou satisfeito com a minha vida. Sei exatamente como é se sentir um fracassado, pois é assim que tenho me sentido praticamente a vida inteira. Portanto, ninguém poderá apontar o dedo para mim e dizer: "Ah, mas falar é fácil, quero ver se isso tivesse acontecido com você, se alguém tivesse partido o seu coração..." Aconteceu comigo sim. E acontece sempre. Tenho conhecimento de causa.
Em segundo lugar, tenho plena consciência do quanto isso o que estou prestes a escrever vai soar incrivelmente piegas... Mas vou escrever mesmo assim porque eu juro que é nisso que eu ACREDITO.
Eis uma boa notícia para quem se sente um fracassado no amor: se você é capaz de dizer "Eu amo", então você não falhou.
Se você ama, você não falha.
Nunca.
O mundo pode desabar na sua cabeça, sua vida pode se transformar num inferno, as coisas podem mudar de uma hora para outra, sem mais nem menos... Mas se você ama, ninguém nunca poderá tirar isso de você. Você sempre vai ter um lugar seguro para ir, para se enconder, para se abrigar. Você sempre vai ter uma lembrança. Quem ama aprende alguns truques e é capaz de fechar os olhos e sentir um cheiro, um toque, um beijo e até ouvir uma música. Consegue ouvir até uma porra duma orquestra inteira!
Tem gente que passa a vida inteira sem amar, perdido num mundo de monótona e frustrante segurança. E nunca vai sentir um aperto no peito, um nó no estômago, nunca vai sentir um desespero, uma vontade de gritar. Meu melhor amigo me disse ontem: "Gostaria que todo mundo pudesse sentir o que eu sinto..." Isso traduz exatamente o que eu penso.
Se você ama, você não falha.
Porque seus braços podem até estar vazios.
Mas seu coração vai estar sempre cheio...
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Barba, Marinus e Tony... Este post foi para nós. E para todos aqueles que amam. texto
Escrito por John às 17h23
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"Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus..." (PARTE 3)
Lembro-me até hoje de uma questão que caiu numa prova aplicada pelo meu professor de Mídia na faculdade. A pergunta parecia bastante simples: qual a diferença entre a tiragem e a circulação? Bom, não é preciso ser nenhum gênio do ramo editorial para saber que a tiragem é a quantidade de exemplares impressos de uma publicação, enquanto que a circulação é a quantidade de exemplares vendidos. E foi exatamente isso o que todos os alunos (inclusive eu) responderam. Acontece que o enunciado não pedia as definições dos dois termos, e sim a diferença entre eles. Portanto, a resposta era ainda mais simples do que a pergunta: a diferença entre a tiragem e a circulação é o encalhe (termo usado para designar a quantidade de exemplares que não são vendidos). É, isso mesmo. No fim das contas, a pergunta era apenas uma simples operação de subtração (cujo resultado, aliás, costuma-se chamar de... diferença): tiragem menos circulação é igual a encalhe. Fácil assim. E ninguém acertou.
No dia seguinte ao pocket show do Nando Reis, eu tinha outro compromisso profissional bastante animador: uma entrevista com Toquinho. Quem me conhece ou acompanha o blog provavelmente já sabe da importância que Toquinho & Vinicius (e a canção "Regra Três") tiveram em minha vida, abrindo-me as portas para a chamada música popular brasileira. Assim, não deve ser difícil imaginar o quão empolgado eu fico quando tenho a chance de conversar com Antônio Pecci Filho - e essa foi a terceira entrevista que fiz com ele. Como o Toquinho iria se apresentar num evento fechado de uma companhia farmacêutica, o empresário decidiu agendar a entrevista logo após a passagem de som, para meu deleite. Além do operador da mesa de som e dos roadies, estávamos lá apenas eu, Andrea (a fotógrafa) e Genildo (o empresário) testemunhando um "pocket show particular". Toquinho e banda tocaram "Tarde em Itapuã", "Samba de Orly" e ainda improvisaram "Samba da Minha Terra" (do Dorival Caymmi) e um tema instrumental.
A entrevista acabou girando em torno duma série de projetos do artista, como DVD ao vivo, turnê comemorativa aos 40 anos de carreira, disco infantil, disco de regravações e DVD contando a história da bossa nova. Mas, na minha cabeça, outras questões foram levantadas. Apesar de tudo o que já realizou e conquistou, Toquinho inevitavelmente pertence ao "segundo escalão da MPB": ele já compôs com poetas como Vinicius de Moraes e Chico Buarque, mas sempre vai ser considerado apenas parceiro deles; já tocou com músicos como Paulinho Nogueira e Baden Powell, mas sempre vai ser considerado apenas discípulo deles. E, mesmo assim, ele segue, firme e forte. Não se prende ao passado glorioso: grava e lança discos inéditos, mesmo que público, crítica e mercado não dêem muita bola. Não se prende ao orgulho: convida ao palco "novatos" como Yamandu Costa e Badi Assad e toca de igual para igual com eles. Parece se sentir bastante confortável, à vontade e feliz em sua posição dentro do "segundo escalão da MPB".
Isso tudo me fez pensar: será que aceitar uma condição teoricamente inferior é sinal de falta de ambição ou é sinal de maturidade? Quando é hora de lutar e quando é hora de abrir mão? Será que às vezes não somos movidos por pura vaidade?
Comecei o post com uma pergunta e termino com outra: qual a diferença entre persistência e teimosia? É bom lembrar que o enunciado não pede as definições dos dois termos, e sim a diferença entre eles.
No fim das contas, talvez eu esteja tentando fazer a operação errada.
Vai ver que em vez da subtração, seria melhor tentar a divisão.
Cujo resultado, aliás, costuma-se chamar de... razão.

P.S.: Outra foto da Andrea Oliveira, dessa vez na passagem de som do Toquinho.
(CONTINUA) texto
Escrito por John às 00h58
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"Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus..." (PARTE 2)
Convenhamos: se eu realmente tivesse alguma vocação para marketing e/ou publicidade, já teria inventado uma forma de explorar comercialmente este blog, certo? Já teria enfiado uma porção de banners aqui, contratado um "ghost-writer" e estaria agora vivendo recluso nas montanhas, tal qual J. D. Sallinger. Vai ver então que é melhor assim. Dizem que tudo o que vira dever acaba perdendo a graça. E se de repente o blog deixasse de ser passatempo para se transformar em ganha-pão, talvez eu acabasse me enchendo dele também. Apesar de que essa não é a principal queixa que faço em relação ao meu emprego. A questão maior não é escrever por obrigação, mas sim ser prisioneiro da chamada "linha editorial". Não que eu queira ser sempre opinativo e nem tampouco sou prepotente a ponto de achar que eu poderia revolucionar o jornalismo musical e blá blá blá.
Sei lá, talvez seja melhor aceitar aquele velho ditado: "O que não tem remédio, remediado está..."
Já perdi a conta de quantas vezes citei em meus textos o verso "it's better to burn out than to fade away", do clássico "Hey Hey My My", do Neil Young. É óbvio que ninguém precisa interpretá-lo de maneira tão radical quanto Kurt Cobain, ao citar o mesmo verso em sua carta-suicida. Mas, às vezes você não prefere que a caia logo uma tempestade, ao invés daquela garoa fina e persistente? Minha semana tinha sido assim, de uma monotonia irritante, como se tudo fosse o preâmbulo de algum grande acontecimento que na verdade você sabe que não virá nunca. Nada de emoções fortes, nada de alegrias repentinas ou grandes decepções, nada de horas de estresse ou momentos de paz inexplicável, nada de levar o "cano" na última hora ou receber aquele telefonema no meio da madrugada. Apenas a longa e tediosa sucessão de dias parecidos que você logo se acostuma a chamar de rotina.
A segunda-feira anunciava que a nova semana seria exatamente igual à anterior. Até que meu editor me escalou para cobrir um encontro do departamento comercial da gravadora Universal Music com seus principais clientes. O evento seria no salão do hotel Crowne Plaza, onde a companhia apresentaria aos maiores lojistas do país seus principais lançamentos para o final de ano. Na agenda, um coquetel e um pocket show com Nando Reis. Decidi encarar o compromisso da seguinte maneira: um amigo te convida para uma festa, mas você não está nem um pouco a fim de ir. De tanto insistir, ele acaba te convencendo e, por um instante, chega a te fazer acreditar que vai ser melhor do que ficar em casa... Reuniões como essa são sempre iguais: gerentes aduladores, canapé insosso, refrigerante, vinho, cerveja e uísque (tive que passar longe dos etílicos porque meus dois chefes estavam presentes), fotos de pequenos grupos de pessoas no melhor estilo "revista Caras", auditório, discurso do diretor-geral, exibição de vídeo institucional. Mais um pouco de papo-furado enquanto os roadies acertavam o palco para Nando Reis e os Infernais e, dessa vez, decidi encarar pelo menos algumas taças de vinho, só para a noite não passar em branco.
O show em si acabou não sendo espetacular, foram apenas cinco músicas. Mas uma frase do Nando Reis me despertou a atenção logo de cara: ele disse que, como compositor, já se acostumou ao fato de que é responsável apenas por escrever as canções. A partir daquele momento, as músicas já não lhe pertencem. Tornam-se de domínio público, para que cada um se aproprie delas da maneira que bem entender. E, no meu caso, é fabuloso notar o quanto um punhado de músicas consegue despertar um turbilhão de sentimentos em questão de minutos. Sabe a "tempestade" que eu estava esperando? Pois em pouco menos de meia hora, veio uma chuva torrencial... Ou vai me dizer que você nunca reviveu uma história inteira por causa de uma música? "O Segundo Sol", "Luz dos Olhos" e "A Letra A": sedução, amor e saudade. Os olhos cheios d'água e um aperto no coração. Mas, parafraseando Cecília Meireles, nem alegria nem tristeza - apenas poesia.
No fim das contas, a música pode salvar o dia.
E eu voltei para casa com uma canção na cabeça:
"Quando o Godzilla atacar Quando essa febre abaixar Quando o mamute voltar, descongelado, a caminhar na Sibéria Quando invento, o mundo é feito de idéias O mundo é Bão, Sebastião! O mundo é teu, Sebastião..."

P.S.: Essa foto foi tirada pela minha amiga Andrea Oliveira durante o show.
(CONTINUA...) texto
Escrito por John às 11h35
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