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"Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus..."
O ser humano nunca está satisfeito mesmo...
Nos últimos tempos, venho questionando minha vida profissional. Na verdade, é só isso o que tenho feito, desde a época em que me vi forçado a pensar seriamente numa carreira. Quando eu era criança, me imaginava desempenhando as mais bizarras profissões. Tive várias fases. Pensei em ser motorista do caminhão de lixo. Não me pergunte o porquê, eu não faço a menor idéia. Acho que me atraía a possibilidade de dirigir um veículo daquele tamanho, buzinando pelas ruas da cidade, com os lixeiros correndo atrás. Imagina, hoje em dia eu não sei nem andar de bicicleta, que dirá pilotar um caminhão. Coisas de criança... Pensei em ser entomologista. É verdade. Quando descobri que entomologista é o nome que se dá ao cientista que estuda os insetos, achei que era aquilo o que eu queria fazer da minha vida. Porque eu já passava mesmo as minhas tardes todas perdido no jardim de casa, levantando as pedras para descobrir os tatus-bola e seguindo as formigas até encontrar o formigueiro. Meus pais achavam uma graça um pirralho daquele tamanhinho dizendo que queria ser en-to-mo-lo-gis-ta (e eu pronunciava direitinho a palavra, o mais engraçado era isso). Coisas de criança... Pensei em ser desenhista. Teve uma época em que passava o tempo inteiro rabiscando, desenhando, copiando personagens das tirinhas dos jornais e dos gibis e inventando também os meus. Minha obra-prima foi uma versão em quadrinhos do "Star Wars", só que com a saga vivida pelos personagens do Charles M. Schultz (?!). O Luke Skywalker era "interpretado" pelo Charlie Brown (?!!), o Han Solo pelo Linus (?!!!)... e o Darth Vader, óbvio, pelo Snoopy (?!!!!!). Coisas de criança...
Quando cresci um pouquinho e passei a entender (?) melhor o mundo, cheguei à conclusão de que a coisa que eu mais gostava de fazer era escrever. Pensei em ser escritor, mas daí me disseram que escritor passa fome, que leva uma vida dura do cão e que só os famosos é que ganham algum dinheiro. Ok, então pensei em ser jornalista. Mas nessa época meu irmão cursava a faculdade de Jornalismo da UNESP e me contava das disciplinas maçantes que ele era obrigado a estudar. E eu, petulante como todo adolescente, dizia a mim mesmo: "Ninguém vai me ensinar. Ou eu sei escrever ou não sei". E abandonei a idéia. Acabei virando publicitário. Não só formado, mas também pós-graduado. E nunca trabalhei numa agência. A vida se encarregou de me levar de volta ao mundo do jornalismo, mesmo sem um diploma na parede. E o melhor, me colocou escrevendo sobre música, minha outra paixão (além da escrita). Hoje, recebo os últimos lançamentos em primeira mão. Ganho um monte de CDs e DVDs de graça. Tenho acesso a eventos exclusivos. Consigo ter contato com vários dos artistas que admiro.
Então por que caralho o sujeito reclama do seu emprego?
A "culpa", em parte, é deste blog, que me fez reencontrar alguns prazeres. Escrevendo aqui, eu tenho a liberdade de dizer coisas que não fazem sentido para os outros, apenas para mim - assim como a vontade de ser motorista do caminhão de lixo. Escrevendo aqui, posso viver e reviver (sempre que eu quiser) aqueles momentos que julgo terem sido os mais felizes da minha vida - assim como as tardes que eu passava no jardim, caçando tatu-bola e formigueiro e treinando para ser en-to-mo-lo-gis-ta. Escrevendo aqui, posso (re)criar qualquer imagem e (re)inventar qualquer história, inclusive trocando os personagens de lugar quando me der na telha - assim como desenhar o Snoopy dando uma de Darth Vader.
Coisas de criança, sabe?
(CONTINUA...) texto
Escrito por John às 17h18
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O horóscopo me aconselhou a não me apegar demais ao passado. Então, por gentileza, alguém avise aos astros que ultimamente as coisas andam todas muito confusas. Até o tempo... Encontro uma inesperada familiaridade em tudo o que há de novo na minha vida. Como se tudo fosse repetido. Deja vu. Uma variação dos mesmos temas. "Um museu de velhas novidades." Deja vu.
- Há uma linha muito tênue que separa a solidão da saudade.
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Sinto que eu deveria adestrar meus pensamentos. Sim, porque normalmente eles obedecem aos meus comandos. Mas basta eu me virar pra outra direção, basta eu me distrair por um instante e lá se vão eles. Seguem por onde têm vontade. Perseguindo um carro que passa na rua ou correndo até o poste. E então tenho que chamá-los de volta, com a voz firme, autoritária. Eu deveria mesmo adestrá-los. Já pensou? Seriam como aqueles cães que guiam os ceguinhos. Eu poderia andar por aí tranqüilo, sem medo de ser atropelado, esbarrar em alguém ou cair no bueiro. É isso. Vou adestrar meus pensamentos. Afinal de contas, alguém tem que me conduzir!
- Pois o meu coração é como uma mula. Geralmente empaca. texto
Escrito por John às 11h42
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