Uma amiga anda calada demais há algum tempo e é preciso fazer algo a respeito.
Outra acaba de voltar de um velório e eu nunca sei o que dizer em horas como essa.
Um amigo parece estar mais disposto, mas ainda sinto amargura e desespero em suas palavras.
Outro está confuso, à procura de um caminho para tentar realizar o sonho do qual já desisti.
E tudo o que eu consigo fazer é conter as lágrimas no show do Ludov, quando ouço a canção:
Escrito por John às 19h36
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"I'm a loser..."
Outro dia desses, eu tava assistindo o Ensaio Geral, no Multishow, com participação do Los Hermanos. Num determinado momento, a Lorena Calabria conversava com a banda a respeito do clipe de O Vencedor, gravado ao vivo. O papo foi evoluindo e o assunto passou a ser o público dos Hermanos nos shows, que visivelmente se emociona sempre e parece "comprar a idéia" (só pra usar a mesma expressão que a Lorena usou) de cada música, cantando cada letra como se fosse sua. Nessa hora, o Marcelo Camelo disse que se sentia feliz por perceber que a banda consegue agregar só gente "do bem" na platéia.
Logo me veio a lembrança da briga entre o Camelo e aquele vocalista do Charlie Brown Jr. Seria engraçado se não fosse trágico perceber o quanto as estéticas de ambas as bandas parecem refletir as mentalidades e os perfis de dois grupos distintos de pessoas. Vejamos.
O Charlie Brown Jr. é extremamente popular, vende centenas de milhares de discos, faz um enorme sucesso com a molecada. O discurso do vocalista daquela banda é carregado daquele pensamento "malandro", se é que se pode chamar assim... Exemplos? "Otário, eu vou te avisar, intelecto de cú é rola!", diz uma das músicas, verdadeira "poesia" na qual o sujeito canta/conta vantagem sobre o fato de ter roubado a namorada/mulher de outro cara. "Mas que se foda", "eu não uso sapato" e etc. etc. etc. Quando ele tenta soar politizado, dispara pérolas do tipo: "O que eles falam sobre o jovem na tevê não é sério"...
Se ele realmente acredita em tudo o que canta, o líder do Charlie Brown deve ter se sentido bastante homem por ter esmurrado o Camelo, já que essa é mesmo a melhor maneira de se resolver as diferenças - porque, afinal de contas, "intelecto de cú é rola"... Outro dia, li o "depoimento" de uma "atriz" chamada Natália Rodrigues, que faz parte do "elenco" de Malhação (tudo entre aspas, claro, porque... bom, deixa pra lá), dizendo que o Charlie Brown representa a geração dela, representa os jovens de hoje em dia e tal. Sad, but true...
Os Hermanos estão beeeeem longe de serem "malandros"... Na verdade, eles são mesmo muuuuuuuuito nerds. E digo mais: são o exemplo perfeito dos "otários" aos quais o vocalista do Charlie Brown se refere em suas "letras" (de novo, entre aspas...). É, o Camelo é um otário: apanha até em aeroporto. Os Hermanos não representam os jovens de hoje em dia - pelo menos, não o jovem padrão que assiste Malhação, que acha o máximo ser "malandro", que a-do-ra o Charlie Brown e que ainda por cima reclama por não ser "levado a sério".
Os Hermanos não têm uma loira-gostosona como uma de suas fãs ilustres. Não, pelo contrário, suas duas fãs mais conhecidas são duas barangas. Como é que se chamam mesmo? Ah, uma é aquela tal de Adriana Calcanhotto, que de tão fã até convidou os otários pra escrever o arranjo e gravar com ela uma de suas músicas, chamada Mulher Barbada. A outra é aquela filha da Elis. Aqueeeela, sabe? A que gravou um disco e incluiu três composições do Camelo no repertório...
Mas tudo bem, tem gente que nasceu pra ser "malandro" e pra se dar bem sempre.
E tem gente que nasceu pra ser loser, perdedor, otáááááário...
Agora, eu pergunto: E TEM ALGUM PROBLEMA NISSO? Deixo o próprio Camelo responder:
O Vencedor (Marcelo Camelo)
Olha lá, quem vem do lado oposto
e vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar
Eu, que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo
mas não deixa ninguém ver
Por que será?
E eu, que já não sou assim,
muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz
texto
Escrito por John às 12h11
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LONGO CAMINHO - letra & música: Herbert Vianna
Foi um longo caminho até aqui
Um dia longo agora chove
Como uma canção sem fim
Como uma voz ao telefone
Eu vivo tão só
Tão só
Há dias de prazer e dias ruins
Já não sou mais quem era antes
Há algo de você ainda em mim
Como uma música distante
Eu vivo tão só
Tão só
Quantas canções vieram antes
Quantas há por vir
Quantos amores errantes
Por onde eu me perdi
E a noite cai
E o tempo vai
E a vida traz você aqui
texto
Escrito por John às 10h48
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Rapidinhas...
Aprendi a fazer
um origami pra você.
No dia em que você se cansar dele,
desdobre-o
e leia o versinho
que eu deixei no papel.
***
Tudo o que tenho
são duas palavras:
amor e verso.
O resto é resto,
só reação.
Valor inverso
de amor e verso.
***
É preciso escolher
entre ser transitivo direto ou indireto.
Você
me assiste
ou assiste a mim?
***
No meu playground,
todos os brinquedos estão quebrados:
o escorrega aos pedaços,
o o balanço sem correntes,
o gira-gira enferrujado.
Só o que funciona é a gangorra.
Mas não há ninguém do outro lado...
texto
Escrito por John às 22h01
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