Scarlett Johansson... The Jesus And Mary Chain... Porque às vezes é preciso caminhar sem olhar para trás...
textoEscrito por John às 15h22
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"Um passo para frente e você já não está mais no mesmo lugar..."
É uma espécie de dito popular, mas eu me lembro do Chico Science bradando essa frase em uma de suas músicas... E é bem verdade. Cada pequena decisão tomada, consciente ou não, nos conduz a lugares que nunca tínhamos imaginado. É como se cada porta que você abrisse te levasse a outra sala com mais três outras portas diferentes e assim sucessivamente... Seria quase impossível voltar à primeira porta, mas mesmo que você conseguisse, não iria mais importar: afinal, você não seria mais a mesma pessoa que abriu aquela porta.
Pois bem, a sensação que eu tenho é que estou de volta à primeira porta. Qualquer pessoa um pouco mais racional diria que foi perda de tempo eu ficar andando de lá pra cá, abrindo-as, procurando algo que nem eu mesmo sabia direito o que era. No fim das contas, vim parar no mesmo lugar, "here I go again on my own..."
Mas aí é que está. Tudo o que vivo é o que me faz ser quem eu sou. Todas as coisas pelas quais eu passo, boas ou ruins, fazem de mim a pessoa que eu sou. Me ajudam a descobrir quem eu sou. "O tempo gasto pensando em ti não é desperdiçado, mas é o que faz mais importante estar ao teu lado", não é isso o que diz a canção? Eu sei, provavelmente parece meio estúpido um sujeito ter quase 30 anos e ainda não saber direito quem é. Mas, ei, sinto muito: eu sou meio estúpido mesmo...
"A tristeza vive à espreita e ela vem e se deita ao meu lado e deixa o meu travesseiro molhado." Sim, ela está aqui, de volta. Mas não é mais a mesma de antes. Porque não é mais o mesmo sujeito de antes que ela encontrou...
Eu reli uns trechos do "Alta Fidelidade", um dos meu livros preferidos, outro dia desses. Acho que o Nick Hornby consegue traduzir com perfeição certas coisas, certos sentimentos... Seu personagem no livro, Rob Flemming, é dono de uma loja de discos. Certa ocasião, uma senhora entra na loja e pergunta se ele tem "soul". Então ele desenvolve de maneira brilhante um engraçado mas ao mesmo tempo melancólico trocadilho com a pergunta. Ele prefere não entendê-la da maneira como foi feita, ou seja, com a palavra "soul" significando apenas o gênero musical... Prefere entender no sentido literal e, portanto, desnecessariamente mais profundo: "Você tem alma?".
Acho que o destino de um cara como eu é mais ou menos parecido com o do personagem do livro: organizar minha vida como se fosse uma loja de discos... E guardando tudo o que eu tenho de "soul" ali, escondido, onde quase ninguém vê. Próximo à saída... E bem ao lado do "blues"...
Viva Nick Hornby... E viva a tristeza, pois às vezes é a única rima para a beleza.
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Escrito por John às 11h24
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